sábado, 30 de maio de 2015

A carência brasileira



(Por Adriana Pinho Gomes)
No Brasil vige a cultura de que quem pensa é chato.
Portanto todo e qualquer esquema que nos poupe de pensar é bem vindo.

O brasileiro sofre de uma preguiça mental avassaladora.
Certamente isso se deve a herança genética de nossa miscigenação, mas sobretudo pelo péssimo sistema de ensino que temos.
As  pessoas introspectivas ou mais caladas, que gostam de ler, de refletir, de questionar a respeito dos porquês,   são muito mal vistas em nosso meio social, geralmente são consideradas chatas e esquisitas (no trabalho, vizinhos, amigos, familiares).
O brasileiro é um adepto compulsivo de todas as práticas de convívio social intenso e em horário integral  (baladas, festas, reuniões, churrascos, etc..). Assim não sobre tempo mesmo para adquirir cultura.
As relações familiares são muito próximas e sufocantes, sob o pretexto de que somos muito “amorosos e sentimentais”. Como se amor se medisse pelo tanto de “grude” dos beijinhos e abraços, dos “queridas” falados a quem você mal conhece ou mesmo  a quem  depois de virar as costas você fala mal, etc...
Enfim, é uma sociedade de relações hipócritas e superficiais, que fica tudo bem entre as pessoas desde que todo mundo esteja dançando a mesma música, desde que tudo mundo pense igual, se vista mais ou menos do mesmo  modo, que comam as mesmas coisas,
Não que as práticas  sociais de convivência entre as  pessoas  não sejam benéficas e/ou  saudáveis, mas não deveriam ser em tempo integral  como de fato é; não há respeito à individualidade. Normalmente quem se diferencia um pouquinho sofre Bullying. E isso não ocorre só entre crianças e adolescentes, mas no ambiente de trabalho, família, social... 
O brasileiro não silencia e não suporta o silêncio, não suporta comer sozinho, não suporta ficar com ele mesmo.
O brasileiro é um povo inseguro que depende muito da aprovação alheia, e seus julgamentos, de um modo geral,  são superficiais, tendo como critério apenas o aspecto estético. As pessoas valorizam excessivamente a aparência física, as roupas, em detrimento de aspectos mais importantes como, por exemplo, senso de responsabilidade e competência. Essa insegurança advém da falta de conhecimento, todo mundo quer apenas parecer “normal” e politicamente correto. Todos querem ser iguais. Em uma discussão, sobre qualquer tema, se você discorda do seu interlocutor, geralmente, isso é tomado como um afronta de natureza pessoal. Todos querem falar e  convencer de que seu ponto de vista é o certo e ninguém quer ouvir. Parece um medo de ouvir coisas que vão confrontar as próprias crenças, sendo que quando você passa a ouvir as pessoas com mais atenção, pode adquirir conhecimento sobre assuntos totalmente novos para você. Todo mundo tem que ter opinião sobre tudo, mesmo sobre assuntos que não dominam.
Penso que a necessidade quase mórbida de estar sempre acompanhado ou em grupo é muito por conta dessa falta de uma base mínima de conhecimento que permite ao sujeito se estruturar sobre as próprias pernas e bancar sua própria subjetividade. Por isso, ele precisa estar sempre ancorado pelo grupo ou diluído na massa.
É um povo sem amor próprio, por isso inseguro, o cidadão comum não se  reconhece como membro de uma nação, não tem uma identidade, a começar pelo aspecto físico, não assume sua etnia, sua cara, seu corpo ( já vi muito pardo/mulato se declarando branco caucasiano, sequer consideram a opção “ latino”, "pardo", o que de fato representa a maioria da população brasileira, nem pensar, já presenciei uma cena em que uma mulher adulta de aproximadamente 45 anos chorou e teve um chilique porque um colega de trabalho disse que ela não era loira natura).

No mundo todo, só no Brasil existe o fenômeno Rede Globo, que monopoliza toda a cultura popular do país, que define como devemos pensar, como devemos agir, o que  devemos desejar (e olha que o Brasil é um país de dimensões continentais).
Sua programação toda é criada com o firme propósito de imbecilizar seu telespectador. Sua dramaturgia cria um mundo fictício inalcançável e seu jornalismo  é quase sempre tendencioso e, em alguns casos, o teor da notícia é manipulado, dependendo do sentimento/emoção que se quer provocar no telespectador.
O brasileiro não tem metas de vida que priorizem seu crescimento como ser humano. O brasileiro não se dedica à  busca de conhecimento. Ele se contenta quando muito com o conhecimento acadêmico e apenas para proporcionar um bom emprego. Mas a gama  de conhecimento é imensa.

A meta de todo brasileiro é casar, ter filhos, curtir a vida e nada mais, se é que isso pode ser considerado meta de vida. Afinal isso é instintivo, tanto que qualquer animal faz isso, reproduzir para garantir a perpetuação da espécie.
Nossas metas, na condição de seres dotados de inteligência, deveriam ser um pouco mais sofisticadas e incluir matérias tais como, busca consciente do autoconhecimento, desenvolvimento da autopercepção,  aprimoramento de nossas qualidades, desenvolvimento de virtudes. Isso naturalmente nos leva a buscar mais conhecimento. Conhecimento em diversas áreas, psicologia, medicina, engenharia,  ecologia, história da humanidade, filosofia, direito comportamento humano, conhecimento sobre ervas, metafísica (a metafísica clássica ocupa-se das "questões últimas" da filosofia, tais como: há um sentido último para a existência do mundo? A organização do mundo é necessariamente essa com que deparamos, ou seriam possíveis outros mundos? Existe um Deus? Se existe, como podemos conhecê-lo? Existe algo como um "espírito"? Há uma diferença fundamental entre mente e matéria? Os seres humanos são dotados de almas imortais? São dotados de livre-arbítrio? Tudo está em permanente mudança, ou há coisas e relações que, a despeito de todas as mudanças aparentes, permanecem sempre idênticas?) , etc...
 Esse tipo de colocação para a maioria dos brasileiros  “ é coisa de doido”.
No caso da mulher é pior ainda, as mulheres brasileiras são extremamente fúteis e vazias, o que reflete um  baixíssimo nível de amor próprio. São excessivamente obcecadas com seus corpos e são muito críticas e competitivas com as outras. São viciadas em procedimentos estéticos (cirurgias plásticas, botox, cremes, etc...).
Quando se tornam mães, em sua maioria, desenvolvem uma relação simbiótica doentia com seus filhos, sobretudo com os filhos do sexo masculino. Não é à toa que o homem brasileiro é extremamente machista e violento com a mulher. Claro que isso advém, em grande parte, da postura dessa mulher em relação ao homem e com o que ele aprendeu com sua mãe.
Os brasileiros não têm senso de pragmatismo, ou seja, tornam qualquer tarefa difícil. Em termos profissionais,  nada é simplificado ou concebido com a conveniência do cliente em mente, pelo contrário tudo é concebido por meio da “lei do menor esforço” por parte do profissional ou da entidade prestadora de serviços,  seja publica ou privada.
As pessoas que prestam serviços, raramente fazem as coisas corretamente da primeira vez. Você tem que insistir  muito para  fazerem o seu trabalho,  são geralmente malandras, preguiçosas e quase sempre chegam atrasadas ou nem comparecem sem dar qualquer satisfação (faxineiras, serviços bancários,  eletricistas, mecânicos, técnicos em geral, etc...).
Os brasileiros têm uma alta tolerância para níveis surpreendentes de burocracia desnecessária e redundante.
A maioria das pessoas ou grande parte delas são  obcecadas por levar vantagem em tudo, sobretudo no que diz respeito ao aspecto financeiro. O brasileiro é extremamente financista. Ou seja, ele sempre quer obter uma vantagem (seja ganho financeiro ou algum tipo de favorecimento)  sem oferecer nada em troca ou tentando te enganar, o que contraria a lei da prosperidade. 
Outro dia estava eu chegando ao trabalho com um grupo de sete pessoas e havia uma pessoa na portaria  distribuindo picolés em comemoração ao dia das mulheres.
Todas do grupo foram pegar o picolé menos eu, simplesmente porque não estava com vontade. Mas o que eu quero ilustrar com isso é que as pessoas normalmente têm esse “instinto” de sempre ganhar algo ou de levar alguma vantagem mesmo quando não necessitam de nada ou não desejam nada. E quem não age pautado por esse “princípio”   é visto como bobo,  chato ou metido. 

"Os brasileiros têm um sistema de classes muito proeminente. Os ricos têm um senso de direito que está além do imaginável. Eles acham que as regras não se aplicam a eles, que eles estão acima do sistema, e são muito arrogantes e insensíveis, especialmente com o próximo".
Na verdade o brasileiro médio tem uma forma de "socializar-se" através de piadinhas sempre na intenção de alfinetar seu interlocutor. Se acham no direito de criticarem, sob o disfarce da "zoação", a roupa que a pessoa está usando, a forma da pessoa ser ou se expressar, se é tímida se é calada, não importa o que seja. Essas mesmas pessoas que fazem essas "brincadeiras" se ofedem de morte quando elas são o alvo de gozações. Ou seja, gostam de criticar , mas não aceitam críticas. O pior acontece quando uma pessoa se destaca por alguma habilidade (mais de uma habilidade então nem pensar) ou virtude, aí o bicho pega. As pessoas em sua maioria  não têm interesse construtivo de estudar, aprender e poder contribuir positivamente. Preferem a crítica destrutiva e improdutiva. Escondem sua ignorância, preguiça e destrutividade através da crítica.   Não há incentivo para o “fazer bem feito” em uma cultura dominada pelo hábito da crítica destrutiva e depreciativa. Existe pouca recompensa para a dedicação e a disciplina. A maioria das pessoas não pensa duas vezes em apontar o dedo acusador para o outro. Geralmente, detestam assumir responsabilidades e sempre se esquivam em responder pelos próprios atos e procuram sempre uma desculpa que as isentem da responsabilidade do que fizeram ou deixaram de fazer. Outro aspecto marcante é o medo de errar, o que de certa forma bloqueia a ação e a criatividade para resolver questões práticas do dia-a-dia. As pessoas não entendem que só aprendemos mesmo uma coisa com o erro e a excelência somente é alcançada depois de muita prática e pequenos erros cotidianos. Mas no Brasil parece que temos que ser um gênio para sermos alguém. Quando falo que toquei piano e dei aulas de piano durante um tempo todos já concluem, a partir da própria fantasia, que eu sou uma exímia pianista. Ora eu apenas toquei razoavelmente e tinha muito jeito para ensinar. Assim como eu fiz teatro amador durante um tempo e nem por isso fui atriz famosa mas foi importante para minha formação, meu desenvolvimento pessoal, enfim,  isso fora outras tantas atividades e meios de conhecimento e autoconhecimento que procurei durante minha vida . Na nossa cultura só somos valorizados  se nos tornamos uma "celebridade" e/ou "famosos". Com este tipo de crença perdemos a oportunidade de nos tornamos melhores pessoas.
#este texto está em aberto#  

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